quinta-feira, 31 de julho de 2008

Quaresma, o mais «vulgar» entre os vulgares

Pousa o monociclo junto à plataforma, ajeita a gola, puxa as meias até ao joelho. Olha para baixo, não há rede. Sobre o arame, presos com arneses à cintura, estão quatro defesas de tamanho XXL, autoflagelados para se manterem despertos para o que se vai passar a seguir.Pedalada e fujo pela direita do primeiro; simulo com o corpo e passo pela esquerda do segundo; ao terceiro meto-lhe um túnel; e à frente do quarto, o guarda-redes, fecho de trivela. É isso, repete. Pedalada e fujo pela direita... Ao primeiro passo, o arame balança. Coragem. Não olhes para baixo.

No futebol foram implantados triângulos e losangos, formas geométricas rectas, afunilando-o. Os treinadores preferem a interioridade e adaptar avançados para desenhar diagonais de fora para dentro. Recortaram os vértices do largo rectângulo de relva, que virou um octógono de becos sem saída para quem aí pisa. Todas as jogadas têm de fazer parte do mesmo algoritmo. Sim, todos os movimentos são parte de uma sequência finita de instruções para chegar a um fim. O golo. Ou à sua negação.

O jogo perdeu espaço e tempo para Quaresmas, Joaquíns, Denilsons, Vicentes, Reyes ouOvermars. Os wingers que sobrevivem são aqueles que ultrapassam a sua condição, fogem ao estereótipo, ganham ambição. Os outros, os que usam um barrete negro a cobrir-lhes a face e fazem de um clip perdido uma gazua para arrombar as defesas adversárias, acabam aprisionados e esquecidos à margem do campo. A data limite de validade é demasiado curta. Cristiano Ronaldo teve de ser maior do que George Best, de chegar onde Ryan Giggs, o galês anti-arritmias, não chegou. Teve de marcar ao ritmo de Dennis Law e Van Nistelrooij. Será que alguém o vê ainda como extremo?

Arrigo Sacchi, o entediante director de orquestra que transformou o Milan numa máquina trituradora, mas também muitas vezes soporífera, coloca a questão mais ou menos neste ponto: um jogador não se deve mover de acordo com o que acha que deve fazer, mas sim tendo em consideração a posição da bola, dos companheiros, o espaço e os adversários. Esta é a Lei Sacchi. Os génios são esses funcionários públicos, de protectores de antebraço e pala na cabeça, em fábricas de produção em série.Confere, carimba, assina, empilha. Confere, carimba, assina, empilha. Confere... Os outros, todos os outros, são jogadores comuns. Vulgares. Como Quaresma.

A verdade é que o Mustang, talvez a alcunha que melhor lhe assenta, é tudo menos isso. Um cavalo selvagem que pode ser (e já foi) domado. Que precisa de que lhe lembrem, todos os dias, que há limites para a liberdade, mas que o deixem correr, de vez quando, ao sabor da vontade. O ser tão diferente de todos os outros torna-o demasiado especial. Só que uma finta tem tanto de belo como de risco, um mau domínio carrega o peso de mil olhares críticos, um remate disparatado atinge os adeptos no diafragma, faz com que saltem do banco e vomitem insultos. É alvo de todas as críticas quando algo não corre bem, mas vira herói depois do golo dos golos.

A visão invertida do italiano não é de todo errada. Coragem. Não olhes para baixo.O extremo portista é mais um driblador do que qualquer outra coisa. Um trapezista, um acrobata, um domador de leões, que em cada espectáculo faz o seu número e sai aplaudido, orgulhoso. Há jogos que precisam dele como de mais ninguém, outros que lhe podem passar ao lado. Quaresma tem tudo para dar certo com o treinador correcto. Precisa de optimizar o seu dom e, quando o conseguir, talvez seja mais jogador do que extremo. É isso, repete. Pedalada e fujo pela direita... Mas tem igualmente de estar preparado para isso.

(by Luís Mateus

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Diverte-nos, Ronaldinho!

Freestyle. Ele e uma bola. Cenários de cinema alternados nas suas costas, como se mãos invisíveis os empurrassem da esquerda para a direita até saírem do ecrã. O Olímpico Monumental e Porto Alegre, o Parque dos Príncipes e Paris, Camp Nou e Barcelona, uma rua com obras a meio, uma praia e miúdos a ver, um campo de treino e uma baliza ao longe. Ele e a bola, juntos, e um sorriso nos lábios. Sempre. O riso em vez da decepção de um golo perdido, e o havaiano shakacom os dedos, o gesto de surfista a revelar o segredo. O seu.

Ele e a bola. Juntos. Inseparáveis. A pressão esmagadora de Stamford Bridge, com Mourinho pronto a derrubar a mais talentosa equipa do planeta como fizera com tantas outras, não lhe tranca o sorriso na boca. Três a um, um a três no seu ponto de vista. Contém a finta na anca direita e o pé encosta na bola, como uma faca a entrar-lhes no flanco, fria, dolorosa e fatal. De Ricardo Carvalho, que lhe parara à frente; de Cech, que não adivinhou o ângulo reduzido; de uns Blues de azul retocado, brilhante e orgulhoso, dispostos a figurar de vez entre os maiores no jogo.

O Barça ainda não era então a melhor equipa. Essa era a diferença. O Chelsea dobrava-se para a frente com o golpe, de mão sobre o estômago, mas conseguiria cambalear até ao golo decisivo, o sexto dessa noite louca de Londres, apontado por Terry. Ronaldinho, pelo contrário, já o era. O melhor. Dois anos de grande nível levaram-no à consagração de World Player of the Year. Em 2005/06, Mourinho não conseguiria repetir a vitória estrondosa. Nessa altura, como nunca antes e poucas vezes depois, o clube que é més que un club e Ronaldinho viviam em simbiose perfeita. E nem o Arsenal impediria que manto, ceptro e trono lhes fossem entregues em Saint-Denis.

O discípulo de Pelé e Maradona, o novo deus das fintas, dos golos magníficos, atracção de multidões, pisava o topo da montanha. Plantava a sua bandeira no cume e, ao mesmo tempo, mantinha os olhos na bola, dividida por milhares de gingas, de engodos, rotinas treinadas até ao limite para parecem improviso. A consagração era total. Os truques multiplicaram-se nos anúncios. Joga bonito repetiu-se tantas vezes que se tornou lema, marca de um talento enorme. Confundiu-se a realidade com o retoque das câmaras, desnecessários para o melhor «R» da história do Barcelona.

O símbolo do sucesso tornou-se, ao mesmo tempo, causa da queda. Ao não ter nada mais a ganhar, mais difícil se tornava continuar no topo. Aquele shaka surfista de polegar e mínimo esticado, símbolo de serenidade e alegria, que lhe retirava a pressão de um planeta inteiro perante as circunstâncias mais adversas, roubava-lhe também a persistência e a ambição dos que lutam eternamente pelo número 1. O organizado Guardiola, que em campo sempre gostou do rigor e do equilíbrio, precisava de renovar a agressividade dos seus homens. Para voltar a ser grande, o Barcelona não podia ter a imagem hang loose do brasileiro.

Ronaldinho também precisava de recomeçar. De experimentar sensações antigas, de voltar a ser adorado da cabeça aos pés. De fazer piscar a primeira página de um site só com o seu nome. Néon dourado no negro milanês. Repisar as suas pegadas, recuperar o sorriso, ganhar de novo a amizade da bola, outra vez no sopé da montanha. Ele merece o Milan e um campeonato novo para conquistar, e o jogo merece que ele esteja de volta, ainda na posse de todas as suas faculdades. O calcio vai ganhar um sorriso bem rasgado. Voltará a encher o campo só com uma jogada, será de novo razão para encher estádios. Apenas isso. Sem mais exigências. O futebol não precisa que volte a ser o melhor do mundo, apenas que seja Ronaldinho. É como dizes. Diverte-nos, Rô!

(by Luís Mateus)

sábado, 12 de julho de 2008

Os mestres dos golos impossíveis

Olhos cerrados, pernas amarradas ao peito pelos braços, cabelos desgrenhados ao vento, sentado num campo de trigo. O nosso craque, herói de Shaolin, prepara-se para feitos sobre-humanos. Procura inspiração no labirinto da mente. Sabe que com concentração, se for matéria e espírito ao mesmo tempo, poderá fazer coisas que mais ninguém consegue. Como o maratonista a dois quilómetros da meta, luta contra os seus limites. Seja uma finta de letra de Ronaldinho ou um míssil de Seedorf, há que alcançar o inatingível. Superar-se. Basta um centésimo a menos ou o golo que mais ninguém marcou.

Em 1978, na Argentina, o Brasil defronta a Polónia, já de Boniek e ainda de Lato. O eterno ídolo do Vasco, Roberto Dinamite, depois de ter visto, na mesma e longa jogada, duas bolas a abanar o poste esquerdo e uma em cheio na trave, acreditou que só havia um sítio por onde a bola podia entrar. A baliza estremecera com o último embate, dera dois passos atrás e ainda recuperava, em esforço, a posição. Mas ele nunca foi de esperar por oportunidades, ou não se consagraria como maior goleador do seu país. De primeira, sem preparação, rematou. Kukla ainda se virava, depois do estrondo metálico, quando a bola lhe passa outra vez pela direita. Gooool!

O pé direito de Van Basten encaixa na perfeição com o volley. Dez anos depois, na Alemanha, o tempo volta a parar. Suspende-se como em Matrix,frame-by-frame. A bola deforma-se, transforma-se em ovo de Colombo, e desenha espirais perante o melhor guarda-redes do mundo, um russo herdeiro de Iashin chamado Dasaev. Sobe o suficiente para passar o obstáculo, desce depois, como montanha-russa. x=xo+vo.cos z.t e y=yo+vo.sen z.t-1/2g.t². Torna-se obsoleta a fórmula da trajectória. À posição e velocidade iniciais, a senos, cossenos e ao tempo, havia que somar talento e confiança. Dasaev dá dois passos titubeantes para trás, sem cair. Como se o mundo tivesse mudado de perspectiva e os dogmas caíssem por terra com o abanar das redes.

A 3 de Junho de 1997, no Stade Gerland, Roberto Carlos tem um livre em zona frontal. Do outro lado da barricada está o senhor das balizas do futuro campeão do mundo e da Europa, Fabien butterhandsBarthez. O brasileiro explode de trivela e a bola vai fora. Por muito primeiro, por menos depois, por pouco, afinal. Ainda fora. A dois metros, descreve uma última curva, bate no ferro esquerdo e entra. Inacreditável! Em Fevereiro do ano seguinte, o lateral ameaça despenhar-se contra os placares, lado a lado com a linha lateral e a um passo da de fundo, mas faz de um ângulo de 0,8 graus o caminho mais curto para baliza do Tenerife!

Quase tão impossível e contranatura como o golo de Bergkamp em Newcastle, em Março de 2002. Toque com a parte errada do pé, saída do pelo lado errado do grego Dabizas, o aguentar do choque e a finalização simples. Ou tão complicado como o abater da Itália no Euro-2004, em pleno Dragão, pelo calcanhar em Ibrahimovic, com o enorme Buffon a adivinhar tudo, nas suas costas, e Vieri, desamparado a tentar evitar, sobre a linha, o empate. Os italianos passariam a vê-lo de perto, pouco depois, na Juventus e a seguir no Inter, e a qualificar as suas jogadas de Ibracadabra.

Se há talento que reinvente novas definições para as palavras é o de Ronaldinho. O brasileiro sempre conseguiu fazer de uma final um campo de treinos, com um sorriso nos lábios e gestos de hang loosecom os dedos. Nas costas dos centrais, domina de peito, a bola sobe e foge-lhe para as costas. Em plena época 2006/07, o Barca já vence o Villarreal por 3-0. A reacção é imediata, o pé esquerdo levanta-se e segue-se o direito. Nem Unzaga, nem Leônidas, inventores da chilena e da bicicleta em países diferentes conseguiram algo assim. Impossível? Não para a humanidade.

(by Luís Mateus)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Os dezes e os deuses, genótipo de um número

Tatuado há 50 anos nas costas de Pelé, tornou-se símbolo, recuperou significados que reforçaram a lenda. Perfeito na religião, gravado nos mandamentos bíblicos de Moisés e no número de antepassados contabilizados entre Adão e Noé e Noé e Abraão, passou a representar a totalidade do universo e, no futebol, o topo da cadeia alimentar. A excelência. Por culpa desses dois algarismos dançantes ao ritmo da ginga do moleque com aspiração a rei, primeiro perante o espanto sueco, depois por todo o lado, tornou-se mais do que o número preferido, uma posição em campo ou o rótulo de craque. O 10 representa sempre o melhor.

A honra pertenceu a milhares, mas poucos foram acompanhados pela aura durante toda a carreira. Além de atrair olhares e holofotes, havia que contar com o peso de gerações da mesma camisola sobre a pele. O 10 de Rivelino, de Zico, de Francescoli, de Platini e de Savicevic, e ainda de todos os outros, era herança pesada, colada ao corpo pelo suor ansioso de ter de respeitar o legado. E, porque o futebol, esse vício sem cura, não sobrevive sem heróis, surgiram dezenas de novos Maradonas nas Pampas. Em Buenos Aires e ao longo dos rios de la Plata e Paraná, cada bebé nascia para uma missão. Em Ortega, em Aimar, em Riquelme, em D'Alessandro e em Messi procurava-se o código genético de um novo Messias. Mais a norte, também no coincidente Santos, aparecia um novo Pelé. Robinho era o clone de algo impossível de clonar.

A certa altura o futebol pensou que podia passar sem eles. Em Inglaterra e em Itália, no association e no calcio, raramente houve espaço para um jogador assim. Mesmo com Wadle na Velha Albion, ou Giannini ou Antognoli à sombra dos Alpes. O four-four-two e o rush and shoot eram há muito auto-suficientes, sem necessidade de um cérebro para vencer jogos. O mais próximo que sempre tiveram de um organizador andava dez metros atrás, camuflados pelos «oitos» invisíveis de Scholes, Lampard e Gerrard, operários nos tempos livres, sem a bola.

Em Itália, a obsessão pelo equilíbrio impedia que um jogador, mesmo que fosse só um, pudesse ser «desperdiçado» com uma única função. O 10 subiu dez metros, tornou-se avançado, obrigou Il Codino Baggio, Del Piero e outros a ser letais na grande área, mais do que conduzir outros até lá. Ou a que Pirlo se transformasse num pivot protegido por duas paredes musculadas, Gattuso e Ambrosini, funcionando como um «seis» atirador furtivo, lançando de longe as sementes da revolução. Foram poucos os que se livraram do colete-de-forças.

Durante décadas, o 10 alemão foi o líbero, o defesa que saía da última linha inimiga e gritava já no meio-campo as ordens dos ataques, quase sempre simétricos, mas também frios e letais. Beckenbauer foi maior do que a posição que inventou e não deixou espaço a outro playmaker. Os ibéricos, pelo contrário, muito por culpa das íntimas ligações à América do Sul, amarraram-se durante anos a fio a esse número, como segredo de todo o sucesso. Na Luz, depois de Valdo, Rui Costa foi desejado época após época, e agora procura-se em Aimar o sucessor. O Sporting teve Silas e Balakov num passado recente. Mais a norte, o grande Madjer preencheu muitas vezes os vazios pisados por um organizador.

O 10 tem várias definições. Várias posições em campo, missões. Pode vestir um poeta como Zico ou um malabarista como Ronaldinho. Um altruísta como Rui Costa ou um goleador como Platini. Zidane foi o mais completo de todos, inimitável. Domínio perfeito, dois pés mágicos, leitura de jogo, autonomia até à baliza, capacidade de drible e jogo de cabeça. Kaká é o mais parecido que há com um projecto de Zidane. Maradona? Era mais que um número. Maradona era D10S!

(by Luís Mateus)

quarta-feira, 2 de julho de 2008

O futebol das decisões erradas

Arte, coração e casualidade. Um jogo não pode ser cifrado em linguagem binária, de 0 ou 1. Sim ou não. Bem ou mal. O futebol é um conjunto de realidades alternativas, que disparam em várias direcções de cada passo, remate ou pensamento. Um labirinto de possibilidades, sem uma corda que nos ajude a voltar à encruzilhada anterior, nessa fuga ao medo de errar, o grande Minotauro. O herói pode vestir a mesma pele do que o fracassado, o derrotado pode reclamar a instabilidade sobre a qual se levanta o mais adorado das bancadas. A fronteira é quase invisível, apenas um conceito que escapa à matéria.

Só os verdadeiros craques conseguem segundas oportunidades. Seis anos depois de, com uns imaturos 19 anos, ter tentado uma primeira versão do Golo do Século, Maradona decidiu dar um final diferente ao truque de hipnotismo e fintou Shilton em vez de rematar como fizera nesse particular de Wembley. O mundo pôde ver no México que, afinal, havia uma catarse para aquela sucessão de toques curtos, um ziguezague eloquente que hoje gostamos de mostrar aos nossos filhos, com a pele arrepiada como se fosse em directo, de cada vez que usam o DVD para fintar a História.

O que seria de Madjer, o melhor estrangeiro que se viu por cá, se naquele toque de calcanhar tivesse tropeçado, atrapalhado uma perna com a outra, acertado num adversário, enfim perdido a grande oportunidade de dar a lógica sequência à avalanche portista no Prater de Viena? Isaías tornar-se-ia tão compreendido na exigente Luz se não acertasse de vez em quando naqueles remates de todos os ângulos, muitas vezes sem sentido, quase disparatados, que soltava jogo após jogo? O que seria de Portugal em 66 se Eusébio não tivesse sido tão grande como o seu nome frente à Coreia do Norte? Que Selecção teríamos em 2000 se aquele míssil de Luís Figo não tivesse desviado na perna esquerda de Tony Adams antes de deixar Seaman a olhar para a «gaveta»?

Às vezes, todos nós somos demasiado dogmáticos nas nossas opiniões, demasiado definitivos sobre as escolhas que se fazem sobre a relva. Chateia-me que um árbitro erre numa simulação, numa falta, só porque não teve talento para experimentar aquelas sensações como actor principal. Ou que um jornalista ou leitor tentem fazer vingar uma ideia sobre um jogo só porque a dissecaram de frente e do avesso, e acham que não pode haver outra explicação para o que se passa à frente dos seus olhos. A verdade, a minha, e embirro com quem me aparecer à frente, é que um futebolista é a soma em partes iguais de talento e confiança. Porque jogadores medianos já mostraram poderes de super-herói e verdadeiras estrelas ficaram sem coroa e manto em momentos decisivos. Qualquer alemão é um bom exemplo de que uma mente sã faz milagres.

Cada golo é uma soma de demasiadas variáveis. Demasiadas opções, de 22 jogadores, três árbitros e dois treinadores, e um público mais ou menos numeroso na plateia. Uma partida começa muitos dias, algumas semanas antes, é influenciada e moldada de todas as maneiras e feitios. Cada decisão encontra no seu caminho «ses» a mais. Em campo, se Maradona tivesse passado a Valdano, se Figo acertasse na trave, se Kouba não largasse aquele remate de Bierhoff o mundo hoje em dia seria diferente. Não melhor ou pior, apenas uma realidade feita de outros factos.

Todos partem nessa maratona que é uma carreira de futebolista. Os grandes, os realmente grandes, sobrevivem a todos os obstáculos, a todas as decisões, ficam gravados na memória colectiva por terem feito quase sempre tudo certo. Só por isso são grandes. Arte, coração e casualidade. E, a nós, meros mortais, só nos resta engrandecer o seu nome e perdoar aos outros, aos que foram vítimas do acaso ou da falta de confiança ou talento. Porque o jogo também é deles.

(by Luís Mateus)

Perfil

Lisboa, Portugal
Subdirector do IOL e do Maisfutebol
Tempos livres: webdesign e criação de gatos Bosques da Noruega

Breve currículo:

2009 - (...) - IOL - Subdirector
2006 - 2008 - Maisfutebol - Editor
2005 - jornal Metro - Chefe de Redacção
2004 - 2005 - jornal Metro - Editor
2000 - 2004 - Maisfutebol - jornalista
1999-2000 - Terraportugal.com - Coordenador Editorial
1996-1999 - A Bola - jornalista

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