A margem de erro deve ser de, para aí, duas horas, mais ou menos, entre as 4 e as 6, e essa é sempre uma altura esquisita, aconteça o que acontecer. Acordei, tomei banho, vesti-me rapidamente, com medo dos segundos, e falhei os mais previsíveis engarrafamentos. Na rotunda da bomba, tudo passou bizarramente fluido, sem os carros da esquerda a fingir estar à direita, sem dupla fila no espaço de uma, sem latas-velhas irritantes, de mil e poucos cc de cilindrada, incapazes de corresponder à subida íngreme, depois de terem falhado, por pouco, o embate com o lugar do pendura.
Cheguei à redacção mais cedo do que o normal (cinco ou dez minutos, chefe!) e um bigode despertou-me da letargia. Ainda não tinha ingerido uma gota de cafeína, juro. O arbusto de pêlos olhava-me nos olhos, embasbacado
- Pimbolim é matraquilhos, banco é caixa
Do meio do jornal, o ex-ex-seleccionador nacional, agora ex-treinador do Chelsea, ainda Felipão (acho...), pedia com aquela convicção inabalável: «Tudo menos empate no derby». Oi?! Ainda pensei que houvesse jogo grande na Premiership, mas não, Scolari não queria era mesmo ver o F.C. Porto fugir na tabela aqui em Portugal. Que bom para ele!
O nonsense empurrou o grande Braga europeu para a direita, uma ilha isolada pelo absurdo. O futuro do Sporting anda dependente de umas luvas made in Carachi, Paquistão; Moreira a armar-se em La Palisse, sublinhando que as dúvidas sobre a carreira deram-lhe mais força para voltar; o lateral-direito Sapunaru a ser dado como certo no lugar do lateral-direito Fucile no lado direito da defesa portista em Paços. Ao menos o jornal é de graça...
Horas depois, reparo que Sócrates (não o jogador, o outro!) elogia o aumento do número de operações aos olhos entre portugueses. Vou ao twitter twittar qualquer coisa de parvo sobre isto e a ligação à internet falha depois. É nesta parte em que faz todo o sentido a cena de «A Guerra dos Mundos» e de Tom Cruise, a olhar para cima, para o ataque de OVNIS ciclopes e extraterrestres em fúria. Faltar a net numa redacção de um site é como ser atropelado por uma ambulância. God!
Afinal, de repente, tudo parece ter sentido. Sem a indicação da estrela e dos reis magos, sem a manjedoura, o burro e a vaca (a estreia do documentário de Kusturica por cá conta como sinal?), o incenso, a mirra e as especiarias, nasce o filho de Aguero, o neto de Maradona
Y todo el pueblo cantó
Maradó, Maradó
Metade dos genes de Kun, metade dos do Pelusa. Ou um quarto, se a genética se dividir em partes iguais. Sabem o que hoje já não seria nada estranho? Apesar de Sérgio ser fantástico, e de poder vir a ser um dos melhores, se houver Deus e gostar de bola, o miúdo Benjamin deve ter mesmo nascido... com dois pés esquerdos.

